Neste domingo (20/08), foram aplicadas em Salvador provas para seleção ao Curso de Formação de Oficiais da Polícia Militar da Bahia (CFO/PM) e do Corpo de Bombeiros Militar da Bahia (CFO/BM) e também para o provimento de vagas do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE/BA). Candidatos de ambas seleções relataram irregularidades nos locais de provas.

Pela manhã, cerca de 15 candidatos decidiram não fazer a prova do TRE/BA no campus da Universidade Católica de Salvador (UCSal). De acordo com o grupo, um pacote de provas chegou violado à sala 418 do campus. Eles relataram que a coordenação responsável pela aplicação do exame chegou a reconhecer o problema, mas insistiu que os candidatos seguissem à realização da prova.

“Queriam nos induzir, sob pressão, a fazer a prova mesmo após ter tido a violação do processo licitatório que é especificado em edital, que somente pode ser aberta a prova em sala, perante os candidatos, mas a prova chegou fora do lacre e quando foi constatado o erro material, ainda assim quiseram nos induzir e pressionar psicologicamente a fazer a prova”, explicou a candidata Beatriz Soares, que prestava o concurso para técnico judiciário do TRE/BA.

Os relatos indicaram ainda que, depois da queixa de violação do pacote, houve troca de provas. Os novos exames distribuídos eram para o cargo de serviços gerais “Eles trouxeram um bolo de provas reservas, jogaram tudo no chão e saíram abrindo os envelopes na tentativa de achar a nossa”.

Os candidatos manifestaram intenção de anulação da prova, via denúncia ao Ministério Público. Contudo, a organizadora da seleção, o Cebraspe divulgou nota de esclarecimento, atestando legalidade da aplicação do exame.

“O Cebraspe informa que, na aplicação das provas objetivas e discursiva do concurso para Técnico Judiciário do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE/BA), houve a troca dos envelopes de provas de duas salas de uma mesma escola, que foram destrocados ainda antes do início das provas. Quando a troca dos envelopes foi identificada, apenas um dos envelopes havia sido aberto, na presença dos candidatos da sala, que atestaram em ata quanto à sua inviolabilidade. Os envelopes foram destrocados com toda segurança devida, na presença de fiscais e de Delegado da Polícia Federal.  Apesar de garantida a lisura do certame, alguns candidatos se recusaram a realizar as provas. Para garantir a segurança do evento e de todos os candidatos que realizavam as provas, o grupo de candidatos descontentes foi encaminhado a uma sala, onde foram prestados todos os esclarecimentos devidos, na presença do Delegado e da equipe de coordenação do evento, momento após o qual esses candidatos deixaram o local de provas. O Cebraspe informa que não houve entrega de provas de outro evento aos candidatos e que o concurso transcorreu dentro da normalidade.”

Problemas com candidatos ao CFO

Na parte da tarde, foi a vez de candidatos do CFO/PM e CFO/BM vivenciarem momentos de tensão em locais de provas. Os problemas foram relatados nos colégios estaduais Manoel Novaes, Odorico Tavares e Raphael Serravalle.

De acordo com nota divulgada pela organizadora do certame, Consultec, seis dias antes da aplicação das provas, “O cartão de convocação é documento obrigatório e indispensável para acesso ao local de provas, e é válido como confirmação da inscrição, devendo o candidato conferir, com o máximo de cuidado, todos os dados nele impressos. Sem o cartão de convocação, o candidato não terá acesso ao local de provas”.

Os candidatos se queixaram da pouca antecedência de divulgação das prerrogativas. Muitos só tomaram conhecimento da exigência no próprio local de prova. Chegaram a buscar as fotocópias mas passaram do horário limite de acesso. A confusão se ampliou com o fato de que, minutos antes do fechamento dos portões, alguns candidatos foram liberados a entrar sem portar os devidos documentos.

“Quando cheguei aqui, fiquei sabendo que 12h30 a entrada tinha sido liberada sem a cópia. Levei até o documento de outro candidato que ia prestar o concurso e ele conseguiu entrar e fazer a prova sem identidade e sem xerox. Como pode isso? Foi um desgaste todo desse para nada”, relata o candidato Weverson Carneiro.

De acordo com os relatos, os organizadores perderam o controle da situação. “Já estava sentado, esperando a prova começar, como todos os outros candidatos que entraram sem a xerox. Só que antes de entregar a prova, me chamaram e pediram que eu me retirasse porque estava sem a cópia. Aí eu disse que só saía se eles também tirassem todo mundo. Foi aí que o cuidador responsável pela sala disse que ia chamar um policial para me tirar. O constrangimento foi grande”, relata o professor Ronaldo Almeida.

“Lamentamos tamanha desorganização. O próprio edital de abertura do concurso já poderia deixar claras as disposições da aplicação as provas. Se a divulgação posterior fosse inevitável, que se fizesse com mais antecedência. Seis dias é de fato pouco. Mas, com certeza, a situação mais grave é chegar a liberar a entrada de alguns candidatos e a de outros, não. A organizadora precisa se reportar o mais breve possível”, defende o professor Renato Saraiva, vice-presidente da ANPAC.

Os candidatos que se sentiram lesados registraram boletim de ocorrência na 16ª Delegacia, localizada no bairro Pituba em Salvador. A delegada titular Maria Selma ficou incubida de abrir procedimento nesta segunda-feira (21/08) e encaminhar o inquérito a Justiça.

A organizadora ainda não se posicionou sobre o caso (com informações de Bocão News e Correio).